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Um diamante bruto, quando lapdado, tornar-se-á entediante rápidamente.

Cecilie

Longas, finas na extremidade, mais largas na base; são as rubras pétalas que de cinco em cinco formam uma flor. Inúmeras flores entre emaranhado de raízes destacam-se em um jardim sem fim de horizonte a horizonte em um ambiente de penumbra. No seu centro uma torre de pedra, sem portas ou janelas, sem trilhas, nem estradas, isolada! Somente quem conhece o caminho consegue entrar ou sair dela. No topo da torre uma figura quase infantil. Sentada na beirada e com as pernas balançando para lá e para cá, uma menina com o cabelo curto e do mesmo tom de vermelho que as flores de seu jardim usando goggles e uma mascara que cobre sua boca e nariz.

- Intruso. – nada além de um sussurro em seus ouvidos e um sorriso em seu olhar.

A garota então se levanta e coloca uma mochila com dois galõezinhos cujo liquido está quase pela metade e ajeita um borrifador, prendendo-o à sua cintura. Ela começa a levitar enquanto olha para cada direção. Não para de subir até que encontrá-lo e, quando o faz, traça uma trajetória reta na direção do intruso, porem sem perder altitude. Com o olhar fixo e conforme vai aproximando-se ela observa um homem caminhando em meio à imensidão de seu jardim. O chão irregular por causa das raízes dificulta a caminhada, contudo ele não apresenta nenhum sinal de cansaço; ao contrario, parecia estar mais disposto. O que quer dizer que em breve o perfume exalado pelas flores quando algo encosta-se a elas esta para fazer efeito.

Desde que entrou no jardim o homem sentia-se cada vezes melhor. O que o motivava cada vez mais a continuar. Pouco tempo após a chegada da garota, o estado do homem já era de euforia. Então, repentinamente, ele para ao sofrer um pequeno espasmo que percorre todo seu corpo. Ao tentar dar outro passo, a onda de espasmo se repete. Originada próximo ao umbigo, a onda fica cada vez mais freqüente, até que ele não se aguenta mais em pé e vai ao chão. Sua respiração torna-se ofegante, seu coração acelera, seus olhos reviram-se e ele tenta segurar-se nas raízes ao seu redor. As ondas chegam ao seu ápice e o corpo do homem parece ter uma convulsão. Em seguida o ritmo dos espasmos começa a diminuir até parar completamente. Em seu rosto somente a expressão plena do prazer.

A garota desce sacando uma adaga que até então permanecia oculta. Faz algumas incisões nas raízes e, em alguns casos, corta pequenos pedaços distribuindo três ou quatro pelo corpo do homem. Em especial, dois deles possuindo uma flor cada, são colocados entra as pernas e entre os dentes. A adaga é limpa e guardada e em seguida a garota rega o corpo com o liquido dos galõezinhos da mochila em suas costas através do seu borrifador. Por um tempo ela fica parada, observando o que acabou de fazer como que se conferindo se estava tudo certo. Então, cantarolando, ela percorre o caminho do intruso, regando as flores que por ventura foram danificadas.


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2 comentários:

  1. Por onde andava? Saudade dia seus belos textos. Mas valeu a pena esperar, como sempre.

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Meus codiais agradecimentos aos elogios e críticas acima contidos.